"Se quisermos modificar algum coisa, é pelas crianças que devemos começar." (Ayrton Senna)
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ROTINA PARA SALA DE AULA

                         

Uma boa aula

ROTINA NA AULA SOCIOCONSTRUTIVISTA

1. Leitura compartilhada - O professor lê todos os dias para os alunos, vários tipos de textos como: notícias, contos, poesias, histórias, fábulas, etc.

Lê por prazer, sem cobrar atividades nenhuma após esta leitura.

Objetivos: Professor enquanto modelo de leitor. Desenvolver no aluno o prazer pela leitura.

2. Roda de conversa - Professor e alunos conversam sobre assuntos variados.

Objetivos: Desenvolver no aluno a competência/oralidade. Falar o que pensa em grupos diversos, ouvir e respeitar as falas e pensamento de outras pessoas, dialogando, trocando, sendo crítico, etc.

Pode-se propor ao final o registro num texto coletivo do assunto debatido. O texto deve ser curto ( de preferência um parágrafo).

Sugestão: Criar caixas na sala com temas variados e neste momento, um destes temas, uma notícia, por exemplo, é sorteada.



3. Agenda - Atividade de cópia de texto com função social na língua (letramento)

Objetivos: Desenvolver técnicas de escrita (escrever da esquerda para a direita na linha, com capricho, etc.), além de registro diário das atividades realizadas durante a aula para acompanhamento dos pais.



4. Atividades de leitura - Esta atividade e imprescindível para a alfabetização. Todos os dias os alunos deverão desenvolvê-la. Lembre-se o bom escritor é antes um bom leitor. Deve ser realizada preferencialmente com textos que já sejam do domínio dos alunos que ainda não sabem ler convencionalmente.

Objetivos: Ler quando ainda não sabe ler (convencionalmente). Ajustar o falado ao escrito. Desenvolver a leitura.

Atividades de leitura: Leitura de ajuste, localizar palavras no texto (iniciar com substantivos) Ordenação de textos (frases, palavras), palavras cruzadas, caça. - palavras, adivinhas, localização de palavras nos textos, roda de leitura, roda de poesia, empréstimo de livros, projetos de leitura, etc.

É fundamental que intervenções tais como o trabalho com a letra inicial e final das palavras sejam feitas constantemente.

5. Atividades de escrita - Só se aprende ler, lendo e só se aprende a escrever, escrevendo. Copia é uma coisa, produção de escrita é outra. Na atividade de escrita, a criança escreve do jeito que ela sabe (hipótese de escrita) e o professor faz intervenções necessárias em relação à escrita, direto com o aluno.

Objetivos: Avançar na reflexão da Língua. Resolver a letra a ser usada (qualidade de letra), quantas letras usar (quantidade de letras), escrever textos com sentido (inicio, meio e fim), revisar ortografia e gramática, etc.

Atividades de escrita: Propor atividades de escrita com o alfabeto móvel completar textos (lacunas no início ou no final da frase), produção escrita de textos individuais e coletivos (listas, histórias, contos, etc.), reescrita de texto que se sabe de cor, revisão de textos, palavras cruzadas (sem banco de palavras), etc.

6. Atividade móvel - Este espaço é para que cada professor trabalhe de acordo com sua turma, jogos matemáticos, sala de leitura; Ciências, Estudos Sociais, Recreação e Artes.

É importante lembrar que nosso dia-a-dia escola, devemos estar desenvolvendo atividades de caráter interdisciplinar e transdisciplinar.
7. Atividade de casa - A atividade de casa é alvo de dúvidas e críticas por parte dos pais e dos professores (ou porque não tem "dever de casa" ou porque tem “dever de casa” demais ou porque “os alunos não fazem o dever”, etc.). O ideal é que a atividade de casa, planejada com antecedência, seja um desafio interessante, difícil, mas possível, que o aluno possa resolver sozinho.

Objetivo: Criar o hábito de estudar fora da escola, desenvolver a autonomia e a auto-aprendizagem.

Atividades de casa - Cruzadinha, caça-palavras, empréstimo de livros (6◦ feira trazer na 2◦ feira), leitura de textos e posterior ilustração, coletar rótulos, ler algo interessante e trazer para sala de aula, coletar materiais de sucata, observar fenômenos da natureza para posterior relato, pesquisas orais e escritas, etc.


fonte : net

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O SENTIDO DRAMÁTICO DA APRENDIZAGEM


O educador educa a dor da falta, cognitiva e afetiva.para construção do prazer. E´da falta que nasce o desejo. Educar a aflição da tensão da angústia de desejar. Educa a fome do desejo.
Um dos sintomas de estar vivo é a nossa capacidade de desejar e de nos apaixonar, amar e odiar, destruir e construir.
Somos movidos pelo desejo de crescer, de aprender, e nós educadores, também de ensinar.
Instrumental importante na vida do ensinar do educador é o ver (observação), o escutar e o falar. Assim como, para estar vivo, não basta coração batendo, para ver não basta estar de olhos abertos.
Observar, olhar o outro e a si próprio, significa estar atento, buscando sintonia com este.
A observação faz parte da aprendizagem do olhar, que é uma ação altamente movimentada e reflexiva.
Ver é buscar, tentar compreender, ler desejos. Através do seu olhar , o educador também lança seus desejos para o outro.
Para escutar, não basta, também, só ter ouvidos. Escutar envolve receber o ponto de vista do outro ( diferente ou similar ao nosso), abrir-se para o entendimento de sua hipótese, identificar-se com sua hipótese, para compreensão do seu desejo.
Para falar, não basta ter boca é necessário ter desejo para comunicar: pois todo desejo do outro. É o outro que me impele a desejar...
É na fala do educador, no ensinar ( intervir, devolver,encaminhar),expressão do seu desejo, casado com desejo que foi lido, compreendido pelo educador, que ele tece seu ensinar.
Ensinar e aprender são movidos pelo desejo e pela paixão.
Algumas vezes, a chama do desejo pode estar baixa , quase apagando... espaço onde e educador necessita educar, limitar a força desorganizada, destrutiva até, da chama...
Desejo e paixão que , através do ensinar e do aprender, são educados.
Desejo e paixão de vida.
Forças em luta, permanentemente, dentro de nós.


TEXTO de Madalena Freire

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

PAULO FREIRE: A LEITURA DO MUNDO



"Ivo viu a uva", ensinavam os manuais de alfabetização. Mas o professor Paulo Freire, com o seu método de alfabetizar conscientizando, fez adultos e crianças, no Brasil e na Guiné-Bissau, na Índia e na Nicarágua, descobrirem que Ivo não viu apenas com os olhos. Viu também com a mente e se perguntou se uva é natureza ou cultura. Ivo viu que a fruta não resulta do trabalho humano. É Criação, é natureza. Paulo Freire ensinou a Ivo que semear uva é ação humana na e sobre a natureza. É a mão, multi-ferramenta, despertando as potencialidades do fruto. Assim como o próprio ser humano foi semeando pela natureza em anos e anos de evolução do Cosmo. Colher a uva, esmagá-la e transformá-la em vinho é cultura, assinalou Paulo Freire. O trabalho humaniza a natureza e, ao realizá-lo, o homem e a mulher se humanizam. Trabalho que instaura o nó de relações, a vida social. Graças ao professor, que iniciou sua pedagogia revolucionária com trabalhadores do Sesi de Pernambuco, Ivo viu também que a uva é colhida por bóias frias, que ganham pouco, e comercializada por atravessadores, que ganham melhor. Ivo aprendeu com Paulo que, mesmo sem ainda saber ler, ele não é uma pessoa ignorante. Antes de aprender as letras, Ivo sabia erguer uma casa, tijolo a tijolo. O médico, o advogado ou o dentista, com todo o seu estudo, não era capaz de construir como Ivo. Paulo Freire ensinou a Ivo que não existe ninguém mais culto que o outro, existem culturas paralelas, distintas, que se complementam na vida social. Ivo viu a uva e Paulo Freire mostrou-lhe os cachos, a parreira, a plantação inteira. Ensinou a Ivo que a leitura de um texto é tanto melhor compreendida quanto mais se insere o texto no contexto do autor e do leitor. É dessa relação dialógica entre texto e contexto que Ivo extrai o pretexto para agir. No início e no fim do aprendizado é a práxis do Ivo que importa. Práxis-teoria-práxis, num processo indutivo que torna o educando sujeito histórico. Ivo viu a uva e não viu a ave que, de cima, enxerga a parreira e não vê a uva. O que Ivo vê é diferente do que vê a ave. Assim, Paulo Freire ensinou a Ivo um princípio fundamental da epistemologia: a cabeça pensa onde os pés pisam. O mundo desigual pode ser lido da ótica do opressor ou pela ótica do oprimido. Resulta uma leitura tão diferente uma da outra como entre a visão de Ptolomeu, ao observar o sistema solar com os pés na Terra, e a de Copérnico, ao imaginar-se com os pés no Sol. Agora Ivo vê a uva, a parreira e todas as relações sociais que fazem do fruto festa no cálice de vinho, mas já não vê Paulo Freire, que mergulhou no Amor na manhã de 2 de maio. Deixa-nos uma obra inestimável e um testemunho admirável de competência e coerência. Paulo deveria estar em Cuba, onde receberia o título de Doutor Honoris Causa, da Universidade de Havana. Ao sentir dolorido seu coração que tanto amou, pediu que eu fosse representá-lo. De passagem marcada para Israel, não me foi possível atendê-lo. Contudo, antes de embarcar fui rezar com Nita, sua mulher, e os filhos em torno de seu semblante tranqüilo: Paulo via Deus.



FREI BETTO é escritor, autor em parceria com Paulo Freire e Ricardo Kotsho, de Essa escola chamada vida (Ática).Texto extraido da "Folha de São Paulo"- 30 dias após a morte de Paulo Freire.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Professores dicas para melhorar ainda mais o seu trabalho



Para que o Brasil tenha uma Educação de qualidade é preciso que todas as crianças saibam ler e escrever até 8 anos de idade. Educador saiba o que você pode fazer para ajudar.


RECOMENDAÇÕES:

O que é uma Educação de qualidade?

Para explicar o que é uma Educação de qualidade, o Todos Pela Educação estabeleceu 5 Metas, que o Brasil deve alcançar até2022:
Todas as crianças e jovens de 4 a 17 anos na escola, sendo alfabetizadas até os 8 anos, aprendendo o que é adequado para cada série e concluindo o Ensino Médio até os 19 anos, sendo necessário, para isso, que o investimento em Educação seja ampliado e bem gerido.
A importância da alfabetização

Garantir uma Educação de qualidade para todos começa logo nos primeiros anos da Educação Básica, com a alfabetização de todos os alunos até os 8 anos.

A alfabetização é a base para o desenvolvimento escolar do aluno, tendo impacto direto no aprendizado das demais disciplinas. Uma criança que não sabe ler e escrever corretamente, dificilmente conseguirá aprender o conteúdo esperado em história, geografia ou até mesmo em matemática.

Por isso, o Todos Pela Educação tem a alfabetização como foco de suas ações em 2009 e 2010.

Para que o Brasil tenha uma Educação de qualidade é preciso que todas as crianças saibam ler e escrever até 8 anos de idade. Educador saiba o que você pode fazer para ajudar.



Dicas para melhorar ainda mais o seu trabalho:


Você, Educador, é o principal profissional brasileiro, pois é quem está com o aluno diariamente e tem nas mãos as ferramentas para ensiná-lo.


- Exija a criação de avaliações de alfabetização


Embora a alfabetização seja fundamental para garantir uma Educação de qualidade para todos, atualmente sabe-se muito pouco sobre a situação da alfabetização das crianças de nosso país. Não há avaliações nacionais que mostrem como está a alfabetização das crianças até os 8 anos, as avaliações nacionais existentes começam na 4ª série do Ensino Fundamental, quando as crianças têm, em média, 10 anos.


Exija do governo a criação de indicadores voltados especificamente para a alfabetização.


- Busque sempre aprimorar seus conhecimentos


Procure sempre dar seqüência à sua formação acadêmica, por meio de cursos de graduação ou pós-graduação e de programas de capacitação. Há sempre algo novo e interessante para ser aprendido, e que poderá te ajudar a influir positivamente na Educação das pessoas ao seu redor.
Proponha que sua escola seja um espaço de aprendizado.
Para ser um bom educador, é preciso estudar sempre e ter em vista aonde você quer chegar com seus alunos.
- Encare a diversidade de maneira positiva

Tire proveito da heterogeneidade de saberes, conhecimentos e experiências dos alunos e da comunidade escolar. Promova a interação entre eles.

- Lembre-se: escola boa é onde o aluno aprende

A melhor forma de avaliar a qualidade do ensino é por meio da aprendizagem dos alunos. Se a escola existe para ensinar, a escola boa é aquela em que os alunos estão aprendendo.

Valorize e utilize avaliações sobre a qualidade do ensino como um instrumento para melhorar a escola e promover a transparência e a participação de todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem.

- Professor: Planeje suas aulas

Elabore planos de curso e planos de aula de acordo com a proposta pedagógica elaborada pela escola e com o programa de ensino da Secretaria de Educação. Participe da elaboração dessas propostas e assegure seu cumprimento, sem perder de vista que, para ter sucesso na sala de aula, os objetivos, os conteúdos e os métodos de ensino devem ser adequados e ajustados às suas necessidades e às características dos alunos. Aulas de qualidade se refletem na aprendizagem dos alunos.

- Professor: Procure não faltar

Lembre-se de que o aluno precisa de você. Se alguma necessidade urgente lhe impedir de estar em sala de aula, é necessário que você seja substituído por pessoa de igual competência e que conheça o andamento dos planos de aula.

- Professor: Ensine a estudar

Ensine os procedimentos de estudo, como selecionar informações, tomar notas, fazer resumos e sínteses, etc.

- Professor: Incentive o hábito da leitura Dê atenção especial à leitura, à compreensão de textos e à escrita. Essas habilidades são básicas e essenciais para toda a vida do aluno.

O hábito da leitura abre aos alunos uma perspectiva prazerosa de aprendizagem. Estimule esse hábito oferecendo aos alunos contato com diferentes tipos de textos, tais como matérias de jornais, embalagens, receitas, cartas, anúncios, textos expositivos e literários, instruções de jogos, regras da escola, etc.
Conheça de antemão os textos que você apresentará à classe, gere expectativas nos alunos sobre os textos, faça comentários, perguntas e promova a reflexão, interpretação e o diálogo entre os estudantes.

- Professor: Reforce a auto-estima dos alunos

É preciso que educadores difundam ao máximo os gestos, as atitudes, as palavras que reforçam a auto-estima das crianças e favorecem o seu sucesso na sala de aula e na vida. Esse tipo de atitude pode ser decisivo na vida de uma criança ou um jovem.


Valorize o esforço e os trabalhos elaborados pelos alunos. Comente-os e exponha-os em murais e varais fora e dentro da sala de aula. Prontifique-se a ajudar sempre que chamado.

- Professor: Não desista de nenhum aluno

Todos precisam, têm direito e capacidade de aprender. Nem todos os alunos aprendem do mesmo jeito e no mesmo ritmo, embora todos sejam capazes de aprender. O desempenho escolar de um aluno é responsabilidade do professor, que deve ser compartilhada pela família e pela escola.


FONTE: www.todospelaeducacao.com.br
blog Lucia DE OLHO NA EDUCAÇÃO




METAS QUE O BRASIL PRECISA ALCONÇAR ATÉ 2022


Meta 1 – Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola
Meta 2 – Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos
Meta 3 – Todo aluno com aprendizado adequado a sua série
Meta 4 – Todo jovem com o Ensino Médio concluído até os 19 anos
Meta 5 – Investimento em Educação ampliado e bem gerido


Saiba mais
FONTE: http://www.todospelaeducacao.com.br/                           

                     


                           

PARA OS PAIS E RESPONSÁVEIS

Participar da Educação do seu filho, estar atento à qualidade do ensino, são boas maneiras de melhorar a Educação brasileira. Veja como você pode ajudar.


Melhorar a Educação brasileira é tarefa de todos nós. Cada um em sua área de atuação, todos os cidadãos podem ajudar a garantir Educação de qualidade para todas as crianças e jovens brasileiros, começando por garantir que todas as crianças saibam ler e escrever até os 8 anos.

Veja abaixo 18 dicas de como você pode fazer a sua parte:



1 - Entenda a situação da Educação
O primeiro passo para melhorar a Educação é entender como está a situação atual. Neste site, você encontra as principais informações sobre a Educação em cada um dos estados, municípios e escolas do Brasil. clique em http://www.todospelaeducacao/

2 - Dê o exemplo .com.br
A Educação começa assim que a criança nasce. Os exemplos que ela recebe em casa, na rua, na comunidade ajudam a criar o interesse pelo saber e fazem com que ela valorize o aprendizado.
Seja coerente, suas atitudes refletem as suas convicções. Como estudar é importante, comece você mesmo: estude. Seja curioso, pergunte, questione, procure entender, informe-se. Este é o melhor exemplo que você pode dar para o seu filho.

3 - Conheça e cumpra a lei
A Educação não é apenas um direito garantido por lei a todas as crianças e jovens brasileiros; é, também, um dever.
No início do ano letivo, ao realizar seu dever de efetivar a matrícula da criança, os pais devem também procurar ter conhecimento do calendário escolar. As escolas precisam garantir pelo menos 200 dias letivos, com um mínimo de quatro horas de aula por dia, descontados os recessos e férias escolares. Isso é lei.

4 - Mantenha canais de diálogo com seu filhoAo conversar com seu filho, você poderá compreender melhor suas experiências escolares, verificar o que vem sendo aprendido, conhecer melhor o funcionamento e a qualidade do ensino oferecido pela escola e ressaltar a importância de uma boa formação para sua futura realização profissional e pessoal.
É importante que seu filho perceba seu interesse, envolvimento e comprometimento com a Educação dele. Não restrinja o diálogo a problemas com as notas, estimule-o sempre a querer aprender mais, procure saber como está seu convívio social e, principalmente, mostre interesse pelo que ele está aprendendo. Perceba se ele está sendo bem aceito pela instituição. Pergunte diariamente o que ele pode lhe ensinar de novo.

5 - Cobre o comprometimento do seu filho
Verifique se ele está cumprindo suas obrigações escolares, tais como o dever de casa, a freqüência às aulas e a disciplina em sala de aula. Incentive e reconheça o respeito aos professores e aos colegas, e o seu bom desempenho em atividades escolares e extracurriculares.

6 - Evite faltas desnecessáriasUma vez que tenham matriculado seus filhos, é importante que os pais se organizem para que os alunos possam estar presentes diariamente nas aulas. A freqüência do aluno à escola é importante porque é a condição básica para ele aprender.
Se houver necessidade de mudança de escola durante o calendário escolar, a transferência deve ser realizada de forma planejada, com a solicitação dos documentos e do histórico escolar no tempo certo, a garantia de matrícula na escola de destino e as demais providências necessárias para não prejudicar os estudos da criança.

7 - Acompanhe o dever de casa
Uma forma eficiente de você saber em que seu filho tem dificuldade e quais são suas maiores habilidades é acompanhar diariamente a realização dos deveres de casa. Se os pais não têm condições, por falta de tempo ou mesmo de conhecimento, de ajudar a criança a fazer suas tarefas escolares, o melhor é pedir ajuda fora da família. Uma vizinha que estuda com o filho ou uma entidade que trabalha com reforço escolar podem ser uma ajuda preciosa.
Além disso, é preciso respeitar o período de estudos do seu filho. Estabeleça uma rotina, com tempo e espaço adequados para as tarefas. Acompanhe a aprendizagem, olhe os cadernos e, se for o caso, elogie o capricho. Verifique se sua casa tem livros e outros materiais de estudo e, se não tiver, ajude seu filho a procurar bibliotecas. Mostre-se disponível e ofereça ajuda sempre que necessário, ainda que seja para ouvir seu filho ler algo interessante que achou nos livros.

8 - Incentive o hábito da leitura
O gosto pelos livros e pela leitura pode ser estimulado pelos pais desde o nascimento dos filhos.
Leia e conte historinhas para as crianças. Leve-as a uma biblioteca pública ou presenteie-as com livros ou revistas de que elas gostem e que sejam adequados para sua faixa etária. Deixe que as crianças brinquem e manipulem os livros. Leia para elas e com elas, ou peça para que elas desenhem, leiam e interpretem para você alguma notícia ou texto interessante.

9 - Fique atento ao desempenho do seu filho
Não basta mandar as crianças para a escola. Elas têm de aprender de fato o que está sendo ensinado. Acompanhe o boletim escolar do seu filho e, se for verificado um desempenho fraco, a primeira coisa a ser feita é procurar o professor ou a professora para saber o que está acontecendo, ouvir suas recomendações e combinar um esforço comum da escola, da família e do próprio aluno. Se for o caso, você pode também procurar a ajuda de alguma entidade que trabalhe com crianças em atividades complementares à escola.
A criança com dificuldade tem direito a uma segunda chance, a uma atenção especial do professor, a uma oportunidade de participar de algum grupo de estudos da escola, para que possa superar sua dificuldade inicial e continuar aprendendo com sua turma.
Por outro lado, se seu filho é bem avaliado pelos professores e tem boas notas, valorize isso, elogie-o, estimule-o a sempre querer aprender mais e incentive a conclusão da Educação básica na idade correta.

10 - Demande Educação de qualidade para seu filho
"A escola só é boa quando o aluno aprende" - João Batista Araújo Oliveira.
É muito importante que seu filho consiga matricular-se e que compareça às aulas todo dia. Mas não é suficiente. Ele vai à escola para estudar, para aprender, para ter uma boa Educação. Cobre das escolas comprometimento com a qualidade do ensino oferecido, as qualificações dos professores, a adequação dos recursos e instalações escolares. Faça sugestões. Critique. Elogie. Participe de movimentos em prol de um ensino público de qualidade.


Neste site você encontra informações detalhadas sobre a Educação em cada estado, município e escola do Brasil. Clique aqui e veja como está a Educação na escola do seu filho.
É importante que os pais, educadores e lideranças comunitárias, analisem esses dados e informações na busca por soluções. Reuniões de Conselhos Escolares, associações de pais e mestres e assembléias abertas são mecanismos que podem ser adotados para envolver todos esse debate.
Se as soluções não puderem ser encontradas na união da escola, das famílias e das diversas organizações da comunidade, o próximo passo é envolver nessa busca o poder público – começando pelas autoridades locais e, se for o caso, passando às esferas do Estado e da União, à medida que isso se faça realmente necessário.

12 - Conheça o funcionamento da escola
A família tem o direito de conhecer o que seu filho vai aprender a cada bimestre e ao longo do ano. A escola deve garantir que este documento – a proposta pedagógica ou equivalente – seja produzido levando em conta as diretrizes, os conteúdos e competências previstos pelo Programa de Ensino da Secretaria de Educação, a partir de um planejamento conjunto dos professores, com a devida divulgação de forma clara e simples.
Procure conhecer também o Regimento Escolar. Assim, poderá ajudar a escola na aplicação dos recursos e incentivar seu filho a respeitar as normas escolares e a ter consideração e respeito por seus professores, colegas e outros membros da comunidade escolar. Exija que os professores passem dever de casa todos os dias e que eles sejam corrigidos e entenda como a escola avalia, aprova e reprova seus alunos.

13 - Participe das reuniões da escola
A sua participação em todas as reuniões programadas pela escola é fundamental. Você não deve, porém, ficar calado. Dê sua opinião e incentive outros pais a também comparecer e participar nessas ocasiões. Não tenha vergonha nem medo de apresentar o seu ponto de vista à diretoria e aos professores da escola. No diálogo aparecem boas idéias e podem ser encontradas boas soluções para os problemas do dia-a-dia escolar.

14 - Converse com os outros pais de alunos
Os pais dos alunos podem ter seus próprios encontros, sem a presença de diretores, professores, técnicos e funcionários para discutir mais livremente seus problemas e as soluções propostas. Os órgãos que associam os pais fora da escola (federações de associações de pais, por exemplo) devem fazer um esforço concentrado no sentido de prepará-los para um relacionamento mais cidadão, maduro, autônomo e crítico em relação não apenas às escolas, mas também às autoridades educacionais.

15 - Integre escola e comunidade
Os pais precisam estar dispostos a atuar para introduzir e integrar a escola na vida da comunidade e a comunidade na vida da escola. Todos só têm a ganhar com isso. A escola deve ser reconhecida como um dos centros da vida na comunidade, e essa pode colaborar com as iniciativas e projetos da escola.
Apóie a abertura da escola para a comunidade, organize e participe de atividades extra-escolares que acontecerem nas dependências da escola e incentive outros pais e amigos para participarem também.

16 - Exija uma Educação pública de qualidade
A busca por uma Educação de qualidade não é só um direito, mas também um dever de todos nós. Vivemos em um País democrático, e o peso da opinião e da vontade públicas já não pode ser ignorado pelos tomadores de decisões. É pelo nosso voto que os políticos chegam ao poder e, por isso, somos também responsáveis pelas políticas públicas voltadas para a Educação.

17 - Exija comprometimento dos gestores públicos
A Educação é um dos temas principais das políticas públicas e não pode ser instrumento de interesses partidários e eleitoreiros. Todos os cidadãos devem divulgar as boas propostas e, depois, acompanhar e cobrar o cumprimento das promessas feitas pelos políticos. Além de ajudar a Educação, o controle social é uma boa forma de exercer a cidadania e de contribuir para a democracia.

Atente também para que haja continuidade das políticas públicas que estão dando certo. A Educação, por depender de processos de longo prazo, pode ser muito prejudicada pela interrupção constante de políticas e projetos.

18 - Fiscalize os investimentos na Educação

Para que a Educação dê o salto de qualidade de que o Brasil precisa, é necessário que os recursos nela investidos sejam ampliados para, no mínimo, 5% do PIB. Reivindique essa ampliação, e cobre a aplicação eficiente e ética dos recursos destinados à Educação.

http://www.todospelaeducacao/,

      

domingo, 17 de janeiro de 2010

“Educar é ensinar a pensar” Sara Pain

ENTREVISTA DE SARA PAIN Á NOVA ESCOLA

A psicopedagoga argentina condena a “transmissão mecânica dos conteúdos” e conta como trabalha para formar gente capaz de pesquisar e construir seu próprio conhecimento, condição indispensável para que as crianças pobres deixem de ser cidadãs de segunda classe Argentina radicada há 15 anos na França, a professora Sara Pain é, aos 61 anos, uma das maiores autoridades mundiais em sua área. Psicopedagoga, ela se dedica desde a década de 50 a investigar prioritariamente as dificuldades de prendizagem, que sempre atingem em maior grau as crianças de classes populares. Nos anos 60 e início dos 70, foi professora de Psicologia da
Inteligência e da Educação na Universidade Nacional de Buenos Aires e Mar del Plata. Forçada a sair de seu país em 1977 pela ditadura militar (que vigorou na Argentina de 1976 a 1986), dirigiu até os anos 80 projetos sobre problemas da inteligência e aprendizagem, desenvolvidos pela Unesco, em vários países do Terceiro Mundo. No mesmo período, trabalhou como pesquisadora associada no Centro de Epistemologia Genética, coordenado por Jean Piaget em Genebra, na
Suíça. E iniciou contatos com educadores brasileiros, tornando-se consultora científica de escolas e instituições de pesquisa do país, entre estas o Geempa (Grupo de Estudos sobre Educação e Metodologia de Pesquisa e Ação), de Porto Alegre (RS). A professora leciona atualmente em universidades francesas. Além disso, coordena um projeto de educação sistemática, voltado aos alunos das escolas públicas de Mar del Plata e da província de Córdoba, na Argentina. Esse
projeto procura oferecer aos alunos a oportunidade de se tornarem autodidatas já na escola primária. Nesta entrevista, Sara Pain detalha os objetivos do projeto e discute algumas de suas idéias contundentes sobre o papel e a atuação do sistema de ensino público nos países latino-americanos.
Nova Escola A senhora diz que apesar de alguns avanços, as dificuldades de aprendizagem e o fracasso escolar continuam sendo a tônica nos sistemas de ensino público. Como isso se explica?

Sara Pain Acredito que no Brasil, e em alguns países latino-americanos que conheço mais de perto, as dificuldades de aprendizagem enfrentadas pelas crianças não indicam que elas sejam menos capazes, mas se devem aos sistemas escolares, que continuam muito presos às técnicas de ensino e a uma transmissão mecânica dos conhecimentos já prontos e acabados. O resultado, todos sabemos, é o grande número de crianças reprovadas. Mas, mesmo que estas reprovações não acontecessem, a forma de transmissão dos conhecimentos já seria, como é, um grande problema. Porque ela resulta num aproveitamento muito pequeno das muitas horas passadas na sala de aula. Na maioria dos casos, as crianças continuam entrando e saindo das escolas sem aprender a pensar. Mesmo aquelas que são aprovadas.

Nova Escola O que precisa ser feito para mudar essa situação?

Sara Pain Para termos o salto de qualidade que queremos, penso que deve haver uma alteração substantiva nos princípios e na organização dos sistemas de ensino. Estes devem ter como objetivo último oferecer condições para que todos os alunos sejam capazes de possuir autonomia frente ao conhecimento construído socialmente. Além disso, para que o suplício da evasão e da repetência deixe de ocorrer, principalmente nas classes menos favorecidas, o sistema precisa se organizar numa programação permanente, na qual a criança avance sempre. Mesmo que umas sigam mais rapidamente que outras.

Nova Escola Esta programação que a senhora sugere está sendo aplicada na experiência
que vem sendo desenvolvida na Argentina?

Sara Pain Sim, ela se baseia nesta experiência, que é produto de quase duas décadas de pesquisas e estudos. Ela se iniciou na década de 70, com o trabalho desenvolvido em escolas situadas nos bairros mais pobres de Mar del Plata e da província de Córdoba. A meta de nosso grupo de trabalho era estabelecer uma prática de ensino que se antecipasse e prevenisse os problemas escolares dessas populações pauperizadas.
Nova Escola essa prática de ensino vem se mantendo nos mesmos moldes até hoje?

Sara Pain Ela evoluiu bastante e sofreu algumas modificações no funcionamento, em decorrência das dificuldades impostas pela ditadura que se instalou em meu país, com o golpe militar de 1976. Muitos de nós fomos perseguidos mas algumas experiências passaram despercebidas pela ditadura e continuaram sendo tocadas. Com o fim da ditadura, em 1986, fui chamada pelo Ministério da Cultura para retomar a orientação do programa, agora numa forma mais ampliada. Nessa segunda fase, minha atuação não está mais ligada diretamente ao atendimento dos alunos, mas à orientação dos coordenadores e professores.

Nova Escola A experiência propõe uma nova metodologia de ensino?

Sara Pain Não se trata exatamente de uma nova metodologia, mas de um programa cuja meta é desenvolver um ensino sistemático e mais racional na escola primária, que na Argentina tem sete anos. O objetivo deste programa e dar às crianças das classes menos favorecidas condições de pensar por si mesmas e aprender. Quando digo que nossa meta é dar-lhes condições de exercer plenamente sua cidadania, é porque acredito que, hoje, elas crescem e são levadas a se posicionar na sociedade como cidadãs de segunda classe.

Nova Escola Como a escola pode contribuir para que as crianças das classes populares
se tornem cidadãs de primeira classe?

Sara Pain Dando oportunidade a essas crianças de ter uma educação continuada. Dificilmente elas podem permanecer nas escolas após o curso primário, por razões sociais e econômicas bem conhecidas. O que propomos, então, é que pelo menos nesses anos de escolaridade essas crianças sejam instrumentadas para continuar, mais tarde, aprendendo por si, para que se tornem autodidatas. Queremos que elas tenham condições de se transformar em melhores leitores e escritores.

Nova Escola O que significa para a senhora ser um leitor e escritor melhor?

Sara Pain Significa ir muito além da simples alfabetização. A questão não é ensinar a ler e escrever para nada. A alfabetização não pode ser um fim mas um meio. O importante é ensinar a ler e a escrever para que a pessoa use esses instrumentos em sua vida cotidiana. E não só para ser um trabalhador mais completo, mas para viver melhor em todos os sentidos.
Nova Escola Como é que os estudantes, já a partir do curso primário, podem se
transformar em autodidatas?

Sara Pain Os princípios desse tipo de educação são a racionalização e a construção do conhecimento. A partir da ação das crianças procuramos orientálas no sentido da construção dos seus próprios conhecimentos, e de maneira a que possam dizer como chegaram a esse conhecimento. Na prática isto significa que nunca trabalhamos com conhecimentos prontos. Ao contrário, os alunos são estimulados a questionar, duvidar e perguntar sempre. O primeiro passo é que eles possam perguntar e saber como os sábios ou os cientistas chegaram a tal ou qual conhecimento, por que ele foi construído daquela maneira e a quais necessidades respondia ou responde. Nada deve ser apresentado como informação pura e simples, e sim acompanhado dos processos históricos que permitiram a sua construção, que envolveram várias pessoas.

Nova Escola É uma programação centrada na história do conhecimento?

Sara Pain Nosso interesse não é tanto com a história do conhecimento, mas com a maneira como esse conhecimento se faz e pode ser interpretado. Queremos que as crianças compreendam como trabalha um historiador, um engenheiro ou um físico. Normalmente, as escolas apresentam aos alunos umas tantas fórmulas físicas, por exemplo, que foram descobertas por este ou aquele pesquisador, e querem que todos memorizem os dados. Entendemos que essa memorização não serve de nada, pois mesmo que os conceitos ou fórmulas sejam importantes para a vida das pessoas, elas não terão condições e nem instrumentos para fazer as transferências necessárias. A informação perde o sentido, não se transforma em conhecimento. Nossa segunda preocupação é que as crianças estejam em sintonia com o mundo de hoje, tenham idéia dos avanços do conhecimento da ciência.
Nova Escola E como isso é possível, sem que haja um empobrecimento do ensino?

Sara Pain É um equívoco pensar que a escola sozinha pode dar conta de todo o conhecimento acumulado. Mesmo que as pessoas passassem a vida toda nos bancos escolares isso não seria possível. A escola precisa fazer um recorte consciente do que considera fundamental e trabalhar para despertar, em seus alunos, a curiosidade e o prazer de aprender.
Nova Escola A senhora acredita que estas são as condições para que as crianças possam
também produzir conhecimento?

Sara Pain Penso que este é o começo, um bom começo. Nosso propósito é que as crianças possam discutir quais são os problemas fundamentais da ciência hoje. Que elas saibam, por exemplo, qual a importância de podermos ver e medir o infinitamente pequeno e o imensamente grande. Ou, então, como a descoberta da teoria da relatividade mudou nossa percepção do universo.

Nova Escola Esses procedimentos bastam para mudar a qualidade do ensino?

Sara Pain Eles contribuem fortemente para isso, mas só funcionam, de fato, quando existe a vontade real de mudança. Pois requerem uma nova postura de todo o sistema de ensino, que parta do princípio de que as crianças têm o direito de aprender tudo isso. E de que para elas é muito mais interessante questionar, discutir, do que receber tudo mastigado. Além disso, tais procedimentos mudam a perspectiva do aprendizado, pois com eles o conhecimento ganha novo significado.

Nova Escola Nesse programa as turmas de alunos são organizadas em classes ou séries,
como nas escolas brasileiras?

Sara Pain Nos primeiros anos de escolaridade as turmas são organizadas em classes, já que as crianças ainda não possuem autonomia de estudo ou pesquisa. Mas não existe a seriação, e sim unidades de trabalho. Além disso, é uma exigência do programa que essas classes iniciais tenham um número limitado de alunos. Assim, no primeiro ano elas são compostas por 20 alunos, no segundo não podem passar dos 25. E, no terceiro, chegam aos 30 alunos. Daí em diante, e até o sétimo ano, as classes podem crescer bem mais.

Nova Escola As classes chegam a ter quantos alunos?

Sara Pain Hoje temos algumas turmas de quinto e sexto anos com mais de 60 alunos. No sétimo ano, as turmas funcionam normalmente com centenas de alunos numa classe, pois aí o autodidatismo já está suficientemente sedimentado. Eles participam de conferências e discussões e partem para investigar e aprofundar os temas sozinhos, tendo atrás de si toda a orientação e os materiais necessários. Dessa forma, as verbas para o ensino são racionalizadas e podem ser mais bem distribuídas nas turmas iniciais.

Nova Escola Como são feitas as avaliações e a promoção dos alunos no programa?

Sara Pain Como nossa programação é baseada em unidades de trabalho, não há repetência. A criança começa a estudar uma unidade no início do ano e, no final, se não conseguiu completá-la, retoma no ano seguinte de onde parou. Isto também faz com que as verbas para o projeto possam ser repartidas mais racionalmente. Não há necessidade de contratar professores novos para acompanhar repetentes.

Nova Escola Qual é o papel do professor no programa de ensino?

Sara Pain Ele atua como um educador, já que seu objetivo é ter alunos autônomos. Para nós, o educador é aquele que tem suporte para analisar a realidade e projetar sobre ela certos interesses que estimulam os alunos a querer conhecer mais. Ao contrário do que muita gente pensa, o ensino que parte da realidade da criança, do conhecimento que ela já tem, não é um ensino espontaneista, no qual o professor é só figurante.

Nova Escola Para ser um educador, o professor precisa ter uma formação diferenciada?

Sara Pain Ele precisa ser bem formado, ter uma bagagem sólida, como de resto todos os professores precisam. Aqueles que trabalham no programa, porém, passam por um treinamento, já que não podemos estimular a autonomia se nós próprios não sabermos bem o que é isso.

Nova Escola Como é a prática desses professores na sala de aula?

Sara Pain Tudo é uma questão de mudança de atitudes frente ao aluno e ao processo de ensino. Os professores devem exercer sua autonomia plena até para saber onde buscar os profissionais que dominam conhecimentos que eles não têm. Nós tivemos o caso de uma turma que estava trabalhando medidas e o professor sabia, por exemplo, calcular a altura de uma pessoa ou de uma montanha em relação ao nível do mar, mas não tinha idéia de como esse conceito fora construído. Para saber mais, procurou um geógrafo do Instituto de Cartografia, que lhe explicou detalhadamente todo o processo. E este foi reproduzido depois, na discussão com os alunos.
Nova Escola Quantas turmas já completaram todo o ciclo da programção?

Sara Pain Este ano estamos com a terceira geração de crianças completando todo o ciclo, que é organizado para ser percorrido em sete anos. Essas três gerações são uma prova contundente de que essa programação de ensino funciona e pode ser feita.

Nova Escola E essa programação pode ser generalizada para toda a rede de ensino?

Sara Pain Não acredito que o governo torne o programa nacional. Principalmente porque sua implantação, no início, é mais dispendiosa que a do sistema de ensino atual. Requer o treinamento e a atualização constante dos professores e necessita de escolas bem instaladas, com boas bibliotecas e laboratórios.

Nova Escola Qual é a abrangência do programa hoje?

Sara Pain Ele atinge cerca de um quarto das escolas da província de Córdoba e metade das escolas da periferia de Mar del Plata. Os responsáveis diretos pela programação hoje também não permitem sua expansão, até que existam mestres em condições de desempenhá-lo bem.

Nova Escola no Brasil, que trabalhos a senhora tem desenvolvido por aqui?

Sara Pain Meu contato com o Brasil é antigo e muito produtivo. Oriento teses e projetos na área de Psicopedagogia e sou consultora de algumas escolas particulares. O trabalho mais antigo, porém, desenvolvo em Porto Alegre (RS), onde sou consultora científica do Geempa desde 1982. A equipe do Geempa me chamou para assessorar nas discussões dos problemas de aprendizagem e do fracasso escolar. Partindo do pressuposto de que o desejo de aprender é inerente ao ser humano, começamos a questionar a relação aluno-professor e chegamos à conclusão de que este não-aprendizado, seguido pela evasão e repetência, é, na maioria dos casos, resultado da atitude do próprio professor, que acredita nos “limites” da criança mais pobre.
Nova Escola quais as conseqüências tiradas destas conclusões?

Sara Pain A primeira delas foi a de que era preciso desmitificar a pobreza, do ponto de vista antropológico e sociológico, junto aos professores. Nós acreditamos que a repetência e a evasão se reproduzem muito mais nessa faixa mais pobre porque os alunos desistem de aprender depois de vários anos de insucesso. Eles e suas famílias internalizam a idéia de que são incapazes mesmo.

Nova Escola Muitas das propostas do Geempa foram estendidas à rede municipal de
ensino de Porto Alegre durante os quatro anos em que a professora Esther Grossi
foi secretária da Educação. A senhora acompanhou este trabalho?

Sara Pain Acompanhei como observadora atenta e muito curiosa, pois achava que a equipe da Secretaria estaria enfrentando uma prova de fogo, levando-se em conta o acúmulo de tarefas, problemas e entraves que sempre existem em instituições como esta, normalmente de tendências burocráticas. Além disso, como esta seria a primeira vez que as idéias do construtivismo orientavam toda uma rede pública de ensino e atingiam milhares de crianças das classes populares ao mesmo tempo, estava bastante curiosa para ver a evolução do trabalho.
Nova Escola E como a senhora avalia a experiência desenvolvida?

Sara Pain Dentro das limitações, foi um trabalho extraordinário, feito com um ritmo e um entusiasmo elogiáveis. E acredito que isso se deve ao fato de que a equipe tinha, além de um método de ensino, convicções pedagógicas que davam coerência, fundamentação científica e seriedade a todas as ações implementadas. Nada que se fez foi feito gratuitamente. O mais importante para mim é que a experiência se orientou no sentido de permitir que as crianças pensassem sobre a própria construção da linguagem.

Nova Escola Quais são, então, as limitações a que a senhora se refere?

Sara Pain A única crítica que faço ao trabalho, e que já discuti muitas vezes com o pessoal do Geempa, pois ela se repete nas propostas do Grupo, é a de que ele ficou muito centrado na alfabetização. Isso é muito pouco ambicioso. Em nossos países não podemos desperdiçar nenhuma oportunidade de ajudar as crianças a ampliar sua autonomia e domínio das formas de conhecimento. O trabalho deveria ir muito mais além, envolvendo, pelo menos, toda a escola primária. Acredito que só assim ele ganharia solidez e a garantia de que essa alfabetização será realmente útil, possibilitando às crianças condições de que continuem trabalhando para criar textos, para criar conhecimento.

Nova Escola E o que entravou o avanço do construtivismo para as outras séries?

Sara Pain para a alfabetização, que era necessário, foi tão enorme que não deixou espaço e
tempo para o segundo passo. Por outro lado, porém, há a questão do
construtivismo, que, na minha opinião, não conseguiu desenvolver ainda uma
visão de conjunto do processo de aprendizagem. Concentra forças na
alfabetização do sujeito, mas não tem idéia do cidadão que quer ver formado no
final da escola primária. Embora eu não negue que as idéias e ações do
construtivismo têm desempenhado um papel dos mais importantes para
diminuir, nos primeiros anos de escolaridade, o fracasso escolar em nossos
países.

Nova Escola Mas a senhora tem afirmado que o fracasso escolar, nos países latinoamericanos,
pode ser analisado por vários aspectos. Quais são eles?

Sara Pain O que tenho repetido é que há pelo menos dois tipos de fracasso escolar. E um terceiro, que o próprio sistema de ensino contabiliza como fracasso, mas que, na minha opinião, é um êxito do ponto de vista do papel que este sistema cumpre em nossas sociedades. O raciocínio parece estranho, mas ele fica claro quando se leva em conta que uma das funções da escola é justamente a repetição do status quo da sociedade. Na minha opinião, se 50% dos estudantes das escolas públicas se perdem pelo caminho, são excluídos do sistema escolar ou saem dele com instrumentos muito fracos para seguir estudando é porque esta taxa atende às necessidades mínimas de reprodução do sistema.

Nova Escola Que necessidades da sociedade são essas que levam a escola a expulsar
tanta gente?

Sara Pain Esses 50% serão a mão-de-obra barata da sociedade, que hoje é um pouco melhor do que aquela de épocas anteriores, porque a produção está mais exigente. Mas, mesmo assim, continuam sendo trabalhadores desqualificados, que não obtêm da escola os instrumentos para mudar a qualidade de sua vida. Para agravar, tais pessoas passam ainda por um processo de degradação cultural, ou de aculturação. A escola tira essas crianças da cultura oral, por exemplo, e não é capaz de lhes dar uma boa cultura letrada. Nesse sentido é que considero esse fracasso como intencional, como um êxito do sistema.

Nova Escola E o que a senhora vê realmente como fracasso escolar na escola?

Sara Pain O primeiro tipo é aquele fracasso das crianças, vindas de famílias pauperizadas, que não aprendem porque já chegam prejudicadas à escola. Seja porque não têm o vocabulário exigido por essa escola, ou não convivem com um ambiente letrado em casa, ou ainda porque não possuem os materiais mais simples, como um caderno ou um lápis. O segundo tipo é o fracasso mais pontual, aquele das crianças que não se adaptam ao sistema escolar por problemas orgânicos, corporais ou emocionais. Este é que deve ser objeto de tratamento clínico da psicopedagogia.

Nova Escola De que maneira a escola deve agir para evitar o chamado fracasso social?

Sara Pain Penso que a escola deve trabalhar sempre para demonstrar que,
apesar de tudo, estas crianças podem aprender tanto quanto as outras. Nesse
aspecto, o professor cumpre um papel decisivo. Mas não podemos cair na
armadilha de acreditar que a solução do fracasso social está nas mãos da escola
ou do professor. Esta situação só será resolvida com a diminuição das
desigualdades sociais e com uma distribuição de renda mais justa. Sem estas, o
fracasso social pode ser solucionado aqui e ali, mas nunca erradicado.

Elvira de Oliveira
Para saber mais
Livros de Sara Pain publicados no Brasil:
- Psicopedagogia Operativa
- A Função da ignorância — Estruturas inconscientes do Pensamento
- A Função da Ignorância — A Gênese do inconsciente
- Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem
(todos editados pela Artes Médicas, de Porto Alegre, RS); e
- Psicometria Genética, Casa do Psicólogo, SP.

sábado, 16 de janeiro de 2010

PARCERIA





Nascemos sós. E por mais que a nossa busca maior na vida seja conviver com os outros, e por mais que a nossa volta hajam milhares de pessoas, vivemos e morremos sós. Somos sozinhos em nossos pensamentos, em nossos delírios oníricos, em nossos desejos secretos. Somos sós em nossas aspirações, conclusões e escolhas. E sendo assim, tão triste a realidade da solidão, parece estranho pensar que é a parceria quem torna a vida menos fugidia e mais cheia de sentido.

Temos parceiros no amor, na amizade, no jogo de volêi, nas brincadeiras da infância, nos trabalhos de escola. Algumas vezes, o parceiro é um amigo. Outras vezes, é um desconhecido útil. Outras vezes ainda, é só um parceiro. E em algumas vezes, nem mesmo gosta de você. Mas não faz mal. O importante é que os parceiros são aqueles que se unem para fazer algo em comum. E fazem.

Quando o assunto é parceria de trabalho, nem sempre há consenso. Algumas escolas não só não incentivam como proíbem que as professoras conversem e trabalhem juntas. Outras, obrigam o contrário, pensando que a parceria pode ser simplesmente institucionalizada como um bem necessário, imposta. Em algumas escolas, os parceiros se escolhem. Outras, são escolhidos. Acredito eu que o trabalho em parceria é algo que deve ser conquistado, refletido e repensado sempre, não como um arranjo técnico, mas como uma possibilidade democrática de convivência e construção do conhecimento pedagógico. Mas é difícil ver quem leve isso a sério. A verdade é que nesses quase 9 anos de magistério eu já vi muita coisa, mas poucas vezes vi alguém, em um momento de parada pedagógica, falar seriamente sobre a parceria, o que ela contribui para o trabalho do dia-a-dia e como pode ser melhorada. Acho que pensar melhor a parceria entre as professoras é uma mina de ouro que boa parte das escolas ainda não descobriram.

Esclareçamos. Estar junto nem sempre é estar em parceria. Parceiro não "rouba" idéias, compartilha. Parceiro não adula gratuitamente, mas puxa a orelha quando é necessário. Parceiro não esconde o que faz de bom, mostra para que você faça também. Parceiro não concorda com tudo, mas expõe os pontos de vista. Parceiro não puxa tapete, mas entende que o seu sucesso é o sucesso dele também. Parceiro avisa, dá um toque de que você está pisando na bola, esclarece aquele ponto que você não entendeu, contribui para que você cresça e aprenda. O parceiro é aquele que elogia quando ninguém parece dar bola para o que você faz, e critica contrutivamente o seu trabalho de uma maneira que só quem acompanha de perto pode fazer. O parceiro é uma extensão dos seus olhos, ouvidos e boca profissionais, e deixa que você seja alguém assim pra ele também. Como naquela corrida de bastões, como em revezamento de nadadores, como tênis de duplas, como esquema tático de futebol. Cada um na sua, mas todos juntos para um objetivo comum.

Nem sempre é preciso amizade em uma parceria, mas é preciso afinidade. Sem pensar parecido, parceiros não se entendem. Há experiências traumáticas, e talvez seja por isso que tem quem jure que é melhor trabalhar sozinho. Com certeza, é muito mais fácil fazer tudo do seu jeito do que tentar um acordo, principalmente se a diferença com a outra pessoa é grande. E em algumas horas, o trabalho solitário é necessário mesmo. Estar sozinho é bom para fazer coisas que ninguém pode fazer com e por você, para colocar em prática idéias que são só suas, e que você ainda não achou jeito de compartilhar. Há que se respeitar a individualidade para que ela não seja tão sufocada ao ponto de perdermos a identidade. Porém, na maior parte das vezes, é o trabalho em parceria que enche de riqueza as nossas vidas, nossas salas de aula.

Cada parceiro é de um jeito. Eu sou assim, meio desorganizada, detesto qualquer tipo de controle cego, não me submeto a uma rotina a não ser que me convença da necessidade dela. Sou bagunceira, escrevo demais, falo o mesmo tanto, misturo papéis, tenho idéias o tempo todo de um jeito quase compulsivo, dificilmente levo preocupações comigo que durem mais de uma semana e gosto de observar, intuir e sentir mais do que analisar, contabilizar e quantificar. E sendo desse jeito, já trabalhei com muita gente diferente de mim, e gente parecida também. E cada uma das pessoas com quem estive me acrescentou muitas coisas, mudaram coisas em mim. Tenho certeza que no trabalho que eu faço hoje tem um pouquinho de cada parceiro que já tive na vida.

Claro, nem sempre tudo é lindo, gostoso, divertido. O preço da parceria é a dificuldade do ajuste, do entendimento. É necessário abrir mão de algumas coisas, é necessário assumir erros que não são seus, é necessário ter paciência e muita clareza de objetivos. É necessário ter humildade para não bancar a sabichona o tempo todo, e ter segurança para sustentar o que se pensa quando se tem como parceiro alguém que sufoca. É necessário ter a sabedoria e o jogo de cintura para saber quando é a hora de respeitar as diferenças individuais e quando é a hora de modificar essas mesmas diferenças, sempre em prol de um bom trabalho. E tudo isso é um aprendizado longo, que nunca acaba.

Mas, pessoalmente falando, não posso reclamar, não. Sempre tive sorte nas minhas parcerias. Eu tenho boas lembranças dos parceiros com quem já estive. Alguns se tornaram bons amigos que eu guardo em lugar sagrado no coração, e vou guardar pra sempre. Outros, passaram e se foram. Mas sempre deixaram boas coisas comigo.

Por isso, quero agradecer a todos eles por terem me ensinado, dividido sorrisos e lágrimas, por terem xingado, concordado e discordado de mim, por terem dividido trabalho, por terem me ajudado e amparado, por terem sido companheiros em horas em que eu mesma não consegui ser. E um beijo especial as minhas duas parceiras atuais, Nágila Lima e Edilama Batista, por me aguentarem mais de perto todos os dias. :-)

"Sozinhos, vamos mais rápido. Mas juntos, chegamos mais longe."

Escrito por Karina
Postado por li, gostei, postei


Todos juntos

Para o musical infantil Os saltimbancos


Uma gata, o que é que tem?
- As unhas
E a galinha, o que é que tem?
- O bico
Dito assim, parece até ridículo
Um bichinho se assanhar
E o jumento, o que é que tem?
- As patas
E o cachorro, o que é que tem?
- Os dentes
Ponha tudo junto e de repente vamos ver o que é que dá

Junte um bico com dez unhas
Quatro patas, trinta dentes
E o valente dos valentes
Ainda vai te respeitar

Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer

Uma gata, o que é que é?
- Esperta
E o jumento, o que é que é?
- Paciente
Não é grande coisa realmente
Prum bichinho se assanhar
E o cachorro, o que é que é?
- Leal
E a galinha, o que é que é?
- Teimosa
Não parece mesmo grande coisa
Vamos ver no que é que dá

Esperteza, Paciência
Lealdade, Teimosia
E mais dia menos dia
A lei da selva vai mudar

Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer

E no entanto dizem que são tantos
Saltimbancos como somos nós.

Para o musical infantil Os saltimbancos 1977*
Postado por Djanira magalhães às 14:53

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sala de aula rotina e tarefa.






A pedagoga Madalena Freire defendeu duas questões no ensinar em sala de aula: a rotina e a tarefa. Segundo Madalena, a rotina é a construção do tempo da aula
"o tempo não caiu do céu. Não é uma dádiva. Ele é construído. É assumido". E a tarefa é fundamental porque "o professor só pode ensinar mediado pela tarefa".
Mas, além do espaço físico da sala, é necessário ter mais duas vontades dentro de si: a resistência e a agressividade. "Quando não aceitamos algo, devemos resistir e não falo de uma resistência omissa. Não se decreta o novo. Se opta pelo novo, quando o velho já não serve mais. Aprender é mudar. Se os alunos estão mudando é porque estão aprendendo"
Nesse sentido, a agressividade é importante porque, segundo a pedagoga, "é preciso ter raiva para mudar. É essa raiva saudável que nos empurra para frente. Raiva de mim. Raiva da mesmice que estou. Preciso de agressividade para construir uma rebeldia que calça a autonomia. Comprometer-se. Assumir-se. Rebelar-se. Mudar. Aprender com o outro. Palavras e lições de uma aula de Madalena Freire



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O QUE É UM GRUPO.





Minhas primeiras considerações aqui serão a respeito do "GRUPO" Segundo Pichon-Riviêre pode-se falar em grupo quando um conjunto de pessoas movidas por necessidades semelhantes se reúne em torno de uma tarefa específica. Isso também significa que cada participante exercitou sua fala, sua opinião, seu silêncio, defendo seus pontos de vista portanto descobrindo que , mesmo tendo um objetivo mútuo, cada participante é diferente.
"Que diabo tem esse grupo?"
- Que diabo tem esse grupo que dá tanto medo e ansiedade?
- Que diabo tem esse grupo que o risco de ser eu mesmo me amedronta tanto?
- Que diabo tem esse grupo onde o "não sei" é o inicio o aprender?
- Que diabo tem esse grupo que me deixa desvairada à procura do significado de tudo?
- Que diabo tem esse grupo onde minhas hipóteses "corretas" são desestabilizadas, me fazendo duvidar de tudo?
- Mas que diabo de grupo é esse onde me criticam?
- Que diabo de grupo é esse que me faz sentir às vezes tão incompetente?
- Que diabo de grupo e esse que não me dá colo quando choramingo, na minha indisciplina...
-Mas que diabo de grupo e esse???

Esse, é o diabo do grupo
que pergunta
que duvida
que diz não sei
onde errar é aprender.
que ri , que briga
que teve medo, limites, fraquezas, que tem coragem
que chora, que come e vive junto.
onde muitas vezes construindo sua competência é invadido por
forte sentimento de incompetência.
que corre riscos de conhecer o outro e a si mesmo.
que corre riscos NEGANDO A OMISSÃO autoritária e aprende assumir o que pensa
o que diz, o que faz.
que busca a construção permanente da disciplina intelectual educando a
a imaginação, o sonho, no dia-a-dia, junto com os outros,
a paixão de conhecer, aprender ensinar e educar.
Vida de grupo dá muito trabalho e muito prazer
Porque eu não construo nada sozinho, tropeço a cada instante com os limites do outro e os meus próprios, na construção da vida e do conhecimento, da nossa história.

Madalena Freire-é psicóloga e pesquisadora na área da educação. Autora do livro "A Paixão de conhecer o mundo".